segunda-feira, 17 de agosto de 2009

do Comum ao Incomum






Frans Krajcberg (kozienica, 12 de abril de 1921) transforma a natureza comum em algo incomum. De certa forma, faz da natureza algo abstrato. É pintor, escultor, gravador e fotógrafo, nascido na Polônia e naturalizado brasileiro.

Frans destaca-se nas esculturas, suas obras são incomuns e no mínimo questionadoras. Dono de um estilo único, o artista transforma a natureza em obras de arte.

Sua trajetória de vida deriva por vários países, até chegar ao Brasil, onde vive de uma forma bem peculiar, em cima de uma árvore. Em 1939, com o inicio da Segunda Guerra Mundial, Krajcberg buscou refúgio na União Soviética, onde estudou engenharia e artes na Universidade de Leningrado. Em 1941 engajou-se no Exército Polonês, e lutou até o fim da guerra em 1945. Residiu na Alemanha prosseguindo seus estudos na Academia de Belas Artes de Stuttgart.
Chegou ao Brasil em 1948, vindo a participar da primeira Bienal de São Paulo, em 1951. Durante a década de 1950 o seu trabalho era abstrato.
De 1958 a 1964 viveu entre as cidades de Paris, Ibiza e Rio de Janeiro, onde produziu os seus primeiros trabalhos fruto do contato direto com a natureza. Na década de 1960 morou em uma caverna no Pico da Cata Branca, região de Itabirito, no interior de Minas Gerais. Ali na região, à época, era conhecido como o barbudo das pedras, uma vez que vivia solitário, sem conforto, tomando banho no rio vizinho, enquanto produzia, incessantemente, gravuras e esculturas em pedra.

Em 1964, executou as suas primeiras esculturas com troncos de árvores mortas. Realizou diversas viagens à Amazônia e ao Pantanal Matogrossense, fotografando e documentando os desmatamentos, além de recolher materiais para as suas obras, como raízes e troncos calcinados. Na década de 1970 ganhou projeção internacional com as suas esculturas de madeira calcinada.
A sua obra reflete a paisagem brasileira, em particular a floresta amazônica, e a sua constante preocupação com a preservação do meio-ambiente. Atualmente, o artista tem se dedicado à fotografia.

Krajcberg escolheu o Brasil para viver após a 2ª Guerra, depois de perder seus pais em campos de concentração. Chegou ao Rio de Janeiro em 1948. A passagem foi paga pelo mestre da pintura Marc Chagall, porque o escultor mesmo não tinha dinheiro. Hoje, tem o “necessário”, vende poucas obras, apenas para museus ou colecionadores de sua simpatia.

Pouco tempo de completar 80 anos de vida, Krajcberg recebe grandiosas homenagens: a publicação de uma caixa com os livros Natura e Revolta (Editora GB Arte, R$ 150) – que reúne cem imagens de suas obras e uma biografia ilustrada com 50 fotos – e o projeto do Museu Krajcberg, a ser construído em Nova Viçosa, sul da Bahia.

O escultor adianta que o governo francês também estuda a possibilidade de criar um museu para ele. “Eles aproveitariam o velho estúdio que tenho em Paris para erguer o museu. Doei o estúdio para a prefeitura da cidade”, diz o artista, que há um ano instalou uma escultura nos jardins dos Champs Elysées, na capital francesa.

Krajcberg faz esculturas com árvores queimadas em incêndios florestais, fotografa as áreas devastadas e denuncia a destruição em fóruns internacionais. Por não estar no Brasil por um acaso, mas por escolha, fala do País e de seus artistas sem comedimento. “Nunca vi um lugar onde os artistas fossem mais desunidos do que aqui. No Brasil não há movimento artístico.” E no exterior? “Nos EUA me perguntam primeiro quanto vale a minha obra. Só depois querem saber do que se trata.”

Krajcberg diz-se revoltado e não gosta das cidades. Por isso mora na árvore. “O mundo está cada vez mais urbano. Se não nos conscientizarmos logo, teremos problemas. Ninguém fala do que aconteceu em dezembro último, quando a terra girou fora do eixo. Há alterações climáticas evidentes, pois a natureza é vingativa”, diz o escultor, mais conhecido na França do que aqui.


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