quinta-feira, 1 de outubro de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
do Comum ao Incomum
Frans Krajcberg (kozienica, 12 de abril de 1921) transforma a natureza comum em algo incomum. De certa forma, faz da natureza algo abstrato. É pintor, escultor, gravador e fotógrafo, nascido na Polônia e naturalizado brasileiro.
Frans destaca-se nas esculturas, suas obras são incomuns e no mínimo questionadoras. Dono de um estilo único, o artista transforma a natureza em obras de arte.
Sua trajetória de vida deriva por vários países, até chegar ao Brasil, onde vive de uma forma bem peculiar, em cima de uma árvore. Em 1939, com o inicio da Segunda Guerra Mundial, Krajcberg buscou refúgio na União Soviética, onde estudou engenharia e artes na Universidade de Leningrado. Em 1941 engajou-se no Exército Polonês, e lutou até o fim da guerra em 1945. Residiu na Alemanha prosseguindo seus estudos na Academia de Belas Artes de Stuttgart.
Chegou ao Brasil em 1948, vindo a participar da primeira Bienal de São Paulo, em 1951. Durante a década de 1950 o seu trabalho era abstrato.
De 1958 a 1964 viveu entre as cidades de Paris, Ibiza e Rio de Janeiro, onde produziu os seus primeiros trabalhos fruto do contato direto com a natureza. Na década de 1960 morou em uma caverna no Pico da Cata Branca, região de Itabirito, no interior de Minas Gerais. Ali na região, à época, era conhecido como o barbudo das pedras, uma vez que vivia solitário, sem conforto, tomando banho no rio vizinho, enquanto produzia, incessantemente, gravuras e esculturas em pedra.
Em 1964, executou as suas primeiras esculturas com troncos de árvores mortas. Realizou diversas viagens à Amazônia e ao Pantanal Matogrossense, fotografando e documentando os desmatamentos, além de recolher materiais para as suas obras, como raízes e troncos calcinados. Na década de 1970 ganhou projeção internacional com as suas esculturas de madeira calcinada.
A sua obra reflete a paisagem brasileira, em particular a floresta amazônica, e a sua constante preocupação com a preservação do meio-ambiente. Atualmente, o artista tem se dedicado à fotografia.
Krajcberg escolheu o Brasil para viver após a 2ª Guerra, depois de perder seus pais em campos de concentração. Chegou ao Rio de Janeiro em 1948. A passagem foi paga pelo mestre da pintura Marc Chagall, porque o escultor mesmo não tinha dinheiro. Hoje, tem o “necessário”, vende poucas obras, apenas para museus ou colecionadores de sua simpatia.
Pouco tempo de completar 80 anos de vida, Krajcberg recebe grandiosas homenagens: a publicação de uma caixa com os livros Natura e Revolta (Editora GB Arte, R$ 150) – que reúne cem imagens de suas obras e uma biografia ilustrada com 50 fotos – e o projeto do Museu Krajcberg, a ser construído em Nova Viçosa, sul da Bahia.
O escultor adianta que o governo francês também estuda a possibilidade de criar um museu para ele. “Eles aproveitariam o velho estúdio que tenho em Paris para erguer o museu. Doei o estúdio para a prefeitura da cidade”, diz o artista, que há um ano instalou uma escultura nos jardins dos Champs Elysées, na capital francesa.
Krajcberg faz esculturas com árvores queimadas em incêndios florestais, fotografa as áreas devastadas e denuncia a destruição em fóruns internacionais. Por não estar no Brasil por um acaso, mas por escolha, fala do País e de seus artistas sem comedimento. “Nunca vi um lugar onde os artistas fossem mais desunidos do que aqui. No Brasil não há movimento artístico.” E no exterior? “Nos EUA me perguntam primeiro quanto vale a minha obra. Só depois querem saber do que se trata.”
Krajcberg diz-se revoltado e não gosta das cidades. Por isso mora na árvore. “O mundo está cada vez mais urbano. Se não nos conscientizarmos logo, teremos problemas. Ninguém fala do que aconteceu em dezembro último, quando a terra girou fora do eixo. Há alterações climáticas evidentes, pois a natureza é vingativa”, diz o escultor, mais conhecido na França do que aqui.
Caminhava sem direção, ora à procura de uma praia, areia branca, mar azul claro, dois coqueiros e uma rede. Ora à procura de uma festa de rock, uma dose de vodka dois cubos de gelo e um baseado.
Caminhava sem direção, ora sob as letras de Chico, ora sob as letras de Morrisey, sem ser aqui, sem ser acolá. No fim das contas, esqueço Chico, esqueço a praia, e sigo para o mesmo lugar, o boteco da esquina, onde tocava rock e havia o garçom meu amigo.
Sozinha, como sempre, vestindo meu casaco xadrez, calças justas e regata branca. Habitualmente, encostava-me ao balcão, e pedia ao garçom, já meu intimo, uma cerveja bem gelada, o que não foi diferente. Pensei sim em mudar de bar, de lugar, de casaco, mas parecia-me que naquele momento, o jeito era esperar, esperar a hora, mesmo sem saber que hora. O certo é que não sabia quando a hora, e que hora chegaria, porém esperava, esperava no tédio da envoltura dos politicamente corretos, que não se definiam entre superficiais, infelizes, ou banais. Julgarias de tudo um pouco, talvez tudo, ou muito mais. Estava infeliz, certo, aquela roda pacata, as conversas, as tantas pessoas que nada me traziam, no fim sentia-me nada mais que sozinha. O cheio sozinho, se é que me entende. No fundo não era nem a cerveja, a roupa e o bar, apenas as pessoas. Tão ordinárias quanto simpáticas, a simpatia sim, a simpatia era deprimente, a falta de sentido próprio de felicidade. Na segunda garrafa, chorava minhas magoas, julgando-os, o que no insciente seria minhas próprias frustrações, de estar no começo, e começar assim tão deprimente mal. Longe do que, eu diria estar em mim, ser de mim.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Morceaux de Conversations avec Jean Luc Godard

Nouvelle Vague: uma câmera na mão e uma idéia na cabeça.

quinta-feira, 23 de julho de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
trechos de Alice...
Bar, boteco sei lá, apenas implorava para o garçom um copo de vodka com dois cubos de gelo e uma rodela de limão. Quem sabe assim ressuscitaria as células que pareciam, há meses, estarem mortas.
Mais uma noite, mais uma aparente tentativa frustrada de quem sabe encontrar alguém para conversar, alguém que valesse a noite deixada para trás. A noite de todas as noites, passadas com Lautrec, Smith, Schopenhauer ou qualquer teoria da vez.
Estava sozinha, como sempre, mas ao contrário de outras destrutivas saídas noturnas esperava alguém. Alguém do qual ainda escutava as últimas palavras, com uma exatidão que a tornava impotente para iludir-se com qualquer outro contexto que não fosse de fim trágico. Dois anos se passaram, e ainda lembrava com veemência letra por letra do atroz pé na bunda. Como se fosse ontem, cada palavra perfurava seu cérebro, como uma furadeira.
Agora essa ou esse, um reencontro, definitivamente dispensável. Nada intendível, não agora, achava que Moisés não retornasse tão logo, e que encontraria tempo para recuperar-se, estava indo muito bem, tinha até recuperado seu ímpeto romancista para dar continuidade ao projeto acadêmico de analise de poetas brasileiros.
Com Alice, se tratando de sentimentos é tudo mais complicado. Seu jeito rebelde, bicho do mato não lhe proporcionou grandes encontros, menos ainda grandes romances.
Quando conheceu Moisés surpreendeu-se, por dois desregulados motivos: tinha certeza de que era lésbica e de que jamais amaria um homem a ponto de ensaiar planos. Homem, esse ser tão complexo e imaturo jamais faria a cabeça de Alice.
O barulho exagerado do copo contra o vidro no canto daquele boteco, que não se defina entre o rock e o eletrônico interrompeu suas insistentes e devastadoras lembranças. A sede pelo primeiro gole levou a bebida até á boca com um gesto rápido e rude. Rude como ela.
Alice sabia do peso, da intensidade, e do seu dom para criar castelos de areia e aventuras na selva. Sabia que naquela noite, o erro seria dar espaço as suas incansáveis expectativas de volta. Moisés, como sempre atrasado afligia ainda mais Alice, que aguardava com inquietude e dores estomacais.
Com mãos úmidas, tremulas e o pescoço torcendo-se freneticamente em direção a porta, sentia ânsia. Os incansáveis movimentos em direção a portar começavam a lhe causar certa tontura, e para piorar, além do comum atraso, suas lentes de contato passaram a deslocar-se da posição correta, irritando-a profundamente.
Em rápidos e rudes goles terminou o copo de vodka. Sem menos, apressou-se em pedir a próxima dose no impulso de quem sabe embriagar toda insegurança momentânea. Sentia-se confusa, o que desejaria Moisés? Onde estaria? Por que a volta ao Brasil? Por que a procura por ela? Tantos porquês repetiam-se como se a cólera do passado retornasse anda mais destrutiva.
Foi um término tão tenso e doloroso, as feridas continuavam abertas, e ele sabia do quão difícil foi o passar dos anos, e quão insensível foi sua atitude e mudança brusca de buscas existenciais. Em uma noite lhe propôs casamento, e na outra embarcou para Roma. Só Alice sabe o quanto foi traumático terminar a leitura de As Virgens Suicidas.
No momento, estava repudiando o fato de Moisés cutucar o ferimento justo agora que surgiam as primeiras cascas.
A batida do copo sobre a mesa de vidro interrompeu, mais uma vez, suas saídas mentais. Voltou-se à espera de Moisés em um bar que nada lhe atraia, diziam ser underground, pouco lhe importava. Os sofás vermelhos colocados de forma estratégica nos quatros cantos do porão quadrado formavam uma espécie de abrigo para o os grupos menos amigáveis, observação que lhe causava certo aperto psicológico.
Os sofás vermelhos eram os lugares preferidos de Moisés, foi ali que o conheceu, nas remotas vezes que foi ao bar. Naquela noite chuvosa e quente, sequer ventava. No passado tão presente, três amigos ocupavam o canto mais simpático formado pelos sofás vermelhos. Mais simpático porque acima deles uma televisão exibia imagens inéditas de David Bowie. Alice mal piscava, apenas quando notou a semelhança do triplo, ambos usavam xadrez e gesticulavam sem parar, como se todos discutissem ao mesmo tempo sobre assuntos distintos. As aparentes divergências entre os três a atraíram. E com um discreto brilho nos olhos passou a observar a aparência um tanto excêntrica de um deles.
Com um súbito devaneio, que no dia lhe assuntou profundamente, imaginou a ponta esquisita (como ela) do triangulo sem aquela roupa toda. A camisa xadrez entre aberta, duas vezes o tamanho de seu corpo, uma regata branca por baixo, a calça de veludo boca de sino, e o tênis all star rasgado e sem cor deu-lhe a certeza que tinhas descoberto pela primeira e estranha vez o descontrole da atração pelo gênero oposto.
Outrora, quando os olhares se encontraram tocava Friday in Love, do The Cure, nunca esqueceria. Totalmente fora do contexto, havia se apaixonado, a primeira vista. Talvez tivesse sido o nariz fino e arrebitado de Moisés, talvez a roupa ou os cabelos despenteados. Não soube explicar, até hoje não sabe.
As lembranças a fizeram sorrir, há tempos não sorria, nunca mais havia voltado ao bar, e tudo ainda lhe parecia familiar, até demais. Baixou o copo e pediu a próxima dose, olhou para o relógio, duas horas atrasado, ah Moisés, seus olhos piscaram, a vodka chegou, com uma rapidez que lhe fez desconfiar dos dotes paranormais do garçom, como se soubesse da necessidade da última dose. Retirou da bolsa velha e empoeirada seu antigo e quase inutilizado celular, e digitou as últimas palavras: “Profundo é o poço do passado, desprendo-me definitivamente da corda”. Com uma calma digna de Alice bebeu a última dose com dois cubos de gelo e uma rodela de limão com um prazer nunca sentido antes. Largou o copo, pediu um cigarro ao garçom e observou pela ultima vez os sofás vermelhos. Quando Friday in Love iniciou o próximo som, Alice já não estava presente naquele contexto que julgava tão distante de si.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
sábias palavras...
“Já se disse que as grandes idéias vêm ao mundo mansamente, como pombas. Talvez, então, se ouvirmos com atenção, escutaremos, em meio ao estrépito de impérios e nações, um discreto bater de asas, o suave acordar da vida e da esperança. Alguns dirão que tal esperança jaz numa nação; outros, num homem. Eu creio, ao contrário, que ela é despertada, revivificada, alimentada por milhões de indivíduos solitários, cujos atos e trabalho, diariamente, negam as fronteiras e as implicações mais cruas da história. Como resultado, brilha por um breve momento a verdade sempre ameaçada de que cada e todo homem, sobre a base dos seus próprios sofrimentos e alegrias, constrói para todos...”
Albert Camus

quarta-feira, 8 de julho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009
O país das maravilhas de Tim...



quinta-feira, 18 de junho de 2009
E para colorir um pouco este blog, nada melhor que as pinceladas de um dos meus pintores impressionistas favoritos:

Quadro "As grandes banhistas" de Pierre - Auguste Renoir, época em que os modelos de beleza apreciados eram bem diferentes dos atuais.
Caio Fernando Abreu, o cara.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Cultura ... Cinema ... Marlene Dietreich

A Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro exibe a partir de terça-feira, dia 9 de junho, uma pequena mostra reunindo seis dos sete filmes que o cineasta austríaco Josef von Sternberg realizou na década de 30 com a atriz Marlene Dietrich, O Anjo Azul, Marrocos, O Expresso de Shangai, A Vênus Loira, A Imperatriz Galante e Mulher Satânica. A mostra segue até o dia 14 de junho. S
Seis obras primas da sétima arte dignas de memória, que absolutamente fazem valer cada minuto nas salas da cinemas.
15h – A Imperatriz Galante
17h – O Expresso de Shangai
19h – A Vênus Loira
17h – Marrocos
19h – Mulher Satânica
17h – A Imperatriz Galante
19h – O Expresso de Shangai
17h – Marrocos
19h – Mulher Satânica
17h – O Expresso de Shangai
19h – A Vênus Loira
A vida imita a arte?

Foi-se o Bill, de Kill Bill
A morte do ator David Carradine, encontrado enforcado num quarto de hotel em Bancoc, no dia 04.06 segue deixando dúvidas. As suspeitas que antes indicavam suicido, agora apontam para uma seita secreta. A nova teoria publicada pelo tablóide britânico The Sun, afirma que uma seita secreta de lutadores de Kung fu é responsável pela morte do astro de kill Bill. Carradine teria sido morto por tentar se aprofundar na tal seita misteriosa. Alguém dúvida???
terça-feira, 9 de junho de 2009
Jornalismo: "A notícia é vendida como sendo espelho do mundo."
Filosofia - Sua formação é voltada para o Jornalismo e o Direito, duas profissões notadamente práticas. Como veio seu interesse pela reflexão filosófica
Filosofia – Você tocou no tema de audiência. Fala-se em sensacionalismo da mídia com relação a crise econômica mundial – a avalanche de notícias catastróficas estaria espalhando e agravando a crise. Ética e necessidade de audiência se esbarram em algum ponto? Por necessidade de audiência se abandonaria a ética?
Clóvis- Tudo muda e a internet é uma forma de manifestação dos agentes sociais que modifica a relação da mídia tradicional com a sociedade. Apesar dessas novas formas de manifestação, aquilo que a agenda setting se dispõem a comprova, isto é, os temais mais presentes na mídia são as temas mais discutidos pela sociedade, permanece inatacável. Digamos que os meios de comunicação se aproveitam daquilo que é ventilado em um blog – por exemplo, alguma ocorrência ilícita no mundo político – e apresentem este fato como noticia. Esta noticia será discutida pela sociedade, inclusive nas formas de manifestações on-line . Perceba, não é como era antes, mas a idéia de que os meios de comunicação de massa ainda controlam uma prerrogativa importante, que é a definição de um mínimo denominador comum de temas discutíveis de qualquer um, permanece uma idéia muito interessante, muito fértil. Não sou um fervoroso defensor da idéia, mas considero-a, com todas as demonstrações científicas de que ela foi objeto. Por quê? Porque de fato poderíamos dizer, como diz Niklas Luhmann, a mídia é um fator de redução de complexidade social. Em outras palavras, se não houvesse mídia tradicional, provavelmente não teríamos um cardápio de temas discutíveis por qualquer um, estaríamos muito mais sujeitos a nichos temáticos, ou do mundo mais estritamente privado ou profissional.



