Caminhava sem direção, ora à procura de uma praia, areia branca, mar azul claro, dois coqueiros e uma rede. Ora à procura de uma festa de rock, uma dose de vodka dois cubos de gelo e um baseado.
Caminhava sem direção, ora sob as letras de Chico, ora sob as letras de Morrisey, sem ser aqui, sem ser acolá. No fim das contas, esqueço Chico, esqueço a praia, e sigo para o mesmo lugar, o boteco da esquina, onde tocava rock e havia o garçom meu amigo.
Sozinha, como sempre, vestindo meu casaco xadrez, calças justas e regata branca. Habitualmente, encostava-me ao balcão, e pedia ao garçom, já meu intimo, uma cerveja bem gelada, o que não foi diferente. Pensei sim em mudar de bar, de lugar, de casaco, mas parecia-me que naquele momento, o jeito era esperar, esperar a hora, mesmo sem saber que hora. O certo é que não sabia quando a hora, e que hora chegaria, porém esperava, esperava no tédio da envoltura dos politicamente corretos, que não se definiam entre superficiais, infelizes, ou banais. Julgarias de tudo um pouco, talvez tudo, ou muito mais. Estava infeliz, certo, aquela roda pacata, as conversas, as tantas pessoas que nada me traziam, no fim sentia-me nada mais que sozinha. O cheio sozinho, se é que me entende. No fundo não era nem a cerveja, a roupa e o bar, apenas as pessoas. Tão ordinárias quanto simpáticas, a simpatia sim, a simpatia era deprimente, a falta de sentido próprio de felicidade. Na segunda garrafa, chorava minhas magoas, julgando-os, o que no insciente seria minhas próprias frustrações, de estar no começo, e começar assim tão deprimente mal. Longe do que, eu diria estar em mim, ser de mim.

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